Praias

Guia de Surf - 2008

Confira nossas dicas e encontre as melhores ondas do litoral paulista


Roberto Shimdt
Guia de Surf - 2008 foto 1
Jaime Viude procura os tubos do litoral paulista
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Lucas Conejero Dos pioneiros santistas da década de 60, passando pela evolução e profissionalização do esporte, pelo descobrimento do potencial do litoral norte, até os dias atuais, vimos ou escutamos as histórias e lendas dos picos, das grandes ondulações e dos grandes surfistas paulistas. Fato incontestável é a popularização do esporte nas localidades costeiras de São Paulo nos últimos anos, atletas reconhecidos internacionalmente, dezenas de escolas de surf espalhadas e os outsides para lá de crowdeados são os fatores que dão veracidade a minha informação. Onda boa não falta. De Peruíbe até Ubatuba podemos encontrar todos os tipos: fundo de areia e pedra - points e beachs breaks - ondas cavadas e tubulares, ondas gordas e manobráveis, lajes, arrebentações fáceis e difíceis, lugares exclusivos para os profissionais e brincadeiras divertidas para os iniciantes. Litoral Sul Peruíbe A primeira cidade do litoral sul paulista não oferece muitas condições para um surf de alta performance. Indicadas para iniciantes, amadores e longboarders as ondas que rolam na cidade são cheias e quase sempre sem força. O fator positivo fica por conta da longevidade das ondas, quando o mar acerta as paredes abrem até o raso. Do posto dos Salva vidas - lado direito da praia, parte sul da cidade - até a região central é uma praia só. Trecho longo, de areia dura e cinza. As ondas estão longe, mesmo com o mar pequeno você vai remar aproximadamente 70m para chegar lá fora, portanto prepare-se, a correnteza e as ondas não são fortes, mas o caminho é longo. Alguns picos escondidos, localizados na Região da "Juréia-Guaraú" tem ondas mais potentes e de melhor formação. De qualquer forma é bom ficar ligado, os locais estão sempre presentes em peso e não gostam de forasteiros, muito menos de jornalistas que divulgam seus segredos. Experiência própria. Ondulação: S/SE/L Tamanho máximo: 5 pés / 1,5m Tipos de ondas: Beach Breaks Melhor época: Outono/Inverno Itanhaém Nesta cidade você vai encontrar opções um pouco melhores. A parte central tem ondas bem parecidas com as de Peruíbe, nas outras praias, ondas mais fortes e cavadas, mas nada de calibre internacional. Na praia de Cibratel - longo trecho de areia que vem lá de Peruíbe - continuamos com ondas gordas e sem força. A praia do Sonho, outro point muito freqüentado pelos surfistas, tem ondas um pouco mais fortes e constantes. Existe um pequeno ilhote do lado esquerdo da praia que auxilia muito na formação das valas. Junto com o "Satélite" que tem ondas muito parecidas com o Sonho, as três praias formam o circuito do surf de Itanhaém. Ondulação: S/SE/L Tamanho Máximo: 5 pés / 1,5m Tipos de ondas: Beach Breaks Melhor época: Outono/Inverno Mongaguá Última cidade antes da famosa baixada santista, Mongaguá é a primeira a oferecer ondas com calibre e perfeição. Assim como Peruíbe ela não tem divisão de praias, apenas um longo trecho de areia dura, uma "praia única", que vai de norte a sul da cidade. Localizado na Avenida do Mar, o Píer de Mongaguá é a maior plataforma desse tipo na América Latina e a segunda maior do mundo. Ele entra 400m mar adentro e forma braços - em forma de T -de 200 metros para cada lado. Como é de conhecimento da comunidade surfística, quando um píer é colocado no outside, isso quer dizer que ele formará bancos de areia e consequentemente, ondas perfeitas. Portanto, a região do Píer é muito procurada e crowdeada durante o ano inteiro. Nos fins de semana e feriados prolongados, temporadas de verão e afins o crowd assusta. Tome cuidado com as pilastras e dê ênfase no respeito mútuo. Ondulação: S/SE Tamanho Máximo: 6 pés / 2m Tipos de ondas: Beach Break, com Píer Melhor época: Ano todo Baixada Santista Berço do surf paulista e brasileiro a região tem algumas opções interessantes, muito crowd e muita história. Suas ondas são realmente boas e o surf consagrou - e ainda consagra - muita gente por lá. As ondulações de sul, fortes e com bastante pressão são as melhores para os picos da baixada. As de leste fazem alguns points alternativos funcionarem. A verdade é que em Santos podemos surfar marolas força barra e ondulações oceânicas. Começamos pelo Canal 1. Canto direito da enorme praia de Santos: um pico com ondas cheias, de paredes manobráveis. A quantidade de cabeças nesse pico assusta, o crowd beira o insuportável. Localizado no Emissário Submarino fica o principal e mais constante pico da cidade, o "Quebra Mar". Ele ajuda a alinhar as ondulações que vem do sul, formando boas direitas do lado esquerdo do Canal, junto às pedras. Apesar de serem cheias, quando estão com boa formação, as ondas são longas e permitem várias manobras. O surf continua até a madrugada, pois o local recebeu iluminação especialmente para permitir o treino de quem trabalha durante o dia. O Canal 2 e o Canal 6 funcionam bem quando as condições estão Storm nos picos mais expostos. No 6, dependendo da ondulação e da maré, podemos ver tubos de até 1metrão rolando. Quebra poucas vezes por ano. A praia de Itararé é outro pico constante e crowdeado, os longboarders comandam a cena, as ondas são cheias e perfeitas para eles. A "Porta do Sol" é o pico dos big riders santistas. Localizada entre a Ilha Porchat e a Praia Grande, na Barra de São Vicente, é protegida da maior parte dos ventos e tem correntes fortes, que podem dificultar o seu posicionamento lá fora. Um local para surfistas mais experientes e longboards. É um pico que quebra poucas vezes durante o ano - com swell de sudeste ou leste - e as ondas podem chegar a 12 pés. Alguns secrets podem ser explorados na cidade, cuidado com o localismo barra pesada que rola nos principais. Ondulação: S/SE/L Tamanho Máximo: 12 pés / 4m Tipos de ondas: Beach Break, com Píers Melhor época: Ano todo Guarujá De norte a sul da cidade você encontra opções variadas: praias mais tranqüilas, praias escondidas, praias tumultuadas com shoppings e prédios. Praticamente todas elas com seus beach breaks de primeira linha, assim é a antiga e famosa, "Ilha de Santo Amaro do Guarujá". Algumas ondas funcionam melhor com ondulação do quadrante leste, outras ficam perfeitas quando a ondulação é sul/sudeste, as lajes fazem à cabeça dos bodyboaders mais atirados e quando o mar sobe são vários os picos que seguram a pressão. Resumindo, no Guarujá dificilmente fica flat e qualquer balanço faz o mar descolar na hora. Do Guaiúba a Praia Branca as opções são mais de dez. Na praia do Tombo, o canto esquerdo (Bostrô) e a laje do canto direito são maquinas de fazer ondas. A famosa Pitangueiras e as séries pesadas do "Canto do Maluf" foram cenários de campeonatos históricos. A praia de Pernambuco e suas valas cavadas e a praia da Enseada onde os iniciantes podem se divertir a vontade, completam o circuito dos picos mais badalados. A praia de São Pedro e de Itaguaíba são points mais escondidos e na entrada do pico, a portaria de um condomínio fiscaliza a quantidade limitada de carros que podem visitar a praia ao mesmo tempo. Surfistas pioneiros, atletas renomados da nova e da antiga geração, mulheres e algumas crianças povoam o outside nos melhores dias. Um surf de alto nível pode ser visto e fotografado da areia em qualquer condição de mar e chega a ser impressionante a quantidade de bons surfistas na água. Dessa forma, alguns points não são aconselháveis para iniciantes. O crowd nos line ups mais famosos do Guarú é insuportável e chegar bem cedo ajuda, tanto para o crowd quanto para a intensidade e direção dos ventos, muito melhores e favoráveis de manhãzinha. Ondulação: S/SE/L Tamanho Máximo: 10 pés / 3m Tipos de ondas: Beach Break, Point Break, Laje Melhor época: Ano todo Litoral Norte Bertioga Poucas opções, surf tranqüilo e divertido. Assim pode ser definida a região de Bertioga. As suas ondas são cheias e quebram muito longe da areia, os cantos das praias têm ondas mais cavadas e um pouco melhores. A praia do centro de Bertioga é um Beach Break de areia dura, com um grande intervalo entre o inside e o outside. A onda não é nada de mais. Faz a cabeça da molecadinha local e dos surfistas de primeira viagem. Na Riviera de São Lourenço temos duas boas ondas, uma em cada extremo da praia. Do lado direito, "o Itaguá", um pequeno píer de pedras entra uns 100 metros mar adentro. Auxilia na formação das ondas que ficam excelentes quando o swell vem de leste. Do lado esquerdo, em São Lourenço, um canal limpo leva você até as direitas que vem em direção dele. Quando o mar está grande vira o único caminho viável até o outside. Itaguaré completa o circuito. Um canal limpo e aberto - exatamente o oposto de São Lourenço - leva você até as esquerdas que vem em sua direção. Quando as condições estão Storm, em Itaguaré, quase sempre dá pra passar a arrebentação. O destaque fica por conta da enorme fazenda localizada na praia, por ser particular o dono proibiu qualquer tipo de construção e não vendeu lotes de terrenos. Não existe nada entre o outside e o imenso paredão de pedras da Serra, a não ser a restinga nativa. Ondulação: S/SE/L Tamanho Máximo: 6 pés / 2m Tipos de ondas: Beach Break Melhor época: maio - setembro São Sebastião No começo do litoral norte paulista - no meu ponto de vista e de muitos amigos - estão as melhores ondas de São Paulo. As opções giram na casa de uma dezena, todas de calibre. Excluindo a Boracéia, com suas ondas cheias, em todas as outras praias temos valas fortes e pra frente. Entre as menos conhecidas destacam-se a Juréia e a Barra do Una. Os dois picos não são extremamente constantes, mas quando o swell passa de 1m, eles funcionam bem. No canto esquerdo do Una, quando o mar está Storm, um córner na entrada do rio forma esquerdas de sonho. Por falar em mar Storm, quando as condições estão "over" nos picos tradicionais, na praia da Baleia, sempre está um pouco menor e a arrebentação de lá é bem menos pesada. Entre os picos famosos temos a mitológica Maresias, com seus tubos internacionais e suas sessões de Tow In históricas. Ao seu lado, também como protagonista aparece Camburi, seus bancos de areia, assim como os de Mareca, seguram ondulações de 10 pés sobrando. Ver essas ondas é assustador e fascinante. O crowd nesses picos é chato, o localismo existe e o respeito é assessório indispensável. Os caroços pesados de Paúba e os triângulos de Santiago não podem deixar de ser citados, são ondas que funcionam raramente, principalmente quando as condições nos outros picos estão fora de controle. A ondulação boa para a região é de sul/sudeste. O vento leste é o terral, quando a combinação desses dois fatores acontece o clima por aqui muda. O alto astral sempre presente é temperado pela energia liberada pelas ondas, as localidades respiram surf e a euforia na areia dura o dia todo. Isso tudo se dá na parte sul da cidade. Na parte norte, poucas ondas. A Ilhabela protege o continente da ondulação (S/SE). Nas ondulações de leste, a praia de Guaecá oferece alguma condição. Ondulação: S/SE Tamanho Máximo: 12 pés / 4m Tipos de ondas: Beach Break, Point Break Melhor época: Ano todo Ilhabela As opções de surf na Ilhabela ficam limitadas ao lado da ilha que fica exposto ao mar aberto. São duas, na verdade três, ou quatro, mas essas últimas duas você vai ter que batalhar sozinho para descobrir onde é. Castelhanos - a primeira opção - é um dos destinos preferidos dos surfistas que gostam de acampar de frente para o pico, no meio da Mata Atlântica. Onda boa, forte e cavada, a praia faz uma grande curva e dependendo da direção da ondulação tem onda boa na praia toda. Bonete - a segunda opção - a ondulação de sul vem varrendo a parede de pedra do canto direito da praia e dobra de tamanho quando atinge o banco de areia, tanto para cima, quanto para frente. Uma parede de pé e um tubo extremamente largo fazem a fama do pico. Uma característica interessante é que o Bonete segura ondulações de mais de 10 pés. Muitas vezes o mar está "storm" em outros lugares considerados famosos e o canto do Bonete funciona perfeito com tubos alucinantes. Mesmo com o mar grande, pela proximidade das ondas em relação a areia, não é difícil passar a arrebentação. Claro que em condições extremas essa informação não vale. A vala do canto funciona com ondas de 2 a 12 pés, portanto, qualquer balanço de sul oferece condições para um surf, divertido nos dias menores e de alta performance nos dias grandes. Outras valas funcionam nos 600 metros de extensão da praia e quanto mais para a esquerda menores as ondas. Ondulação: S/SE/L Tamanho Máximo: 10 pés / 3,5m Tipos de ondas: Beach Break Melhor época: maio - novembro Caraguatatuba Por seu posicionamento geográfico, perpendicular a Serra do Mar, com a Ilhabela protegendo suas praias do mar aberto, Caraguatatuba tende a receber - apenas - ondulações do quadrante leste. São poucas as opções e não muito famosas. Isso não quer dizer que não dá onda boa na cidade. Talvez o pior defeito sejam os intermináveis dias de flat. O mar é muito pouco constante. Martim de Sá, Capricórnio e Massaguaçu são os picos mais conhecidos. Suas ondas são boas. Quebram próximas da areia e são curtas, mas as paredes são em pé, em muitas vezes rolam bons tubos. Não tem muito crowd na cidade, o surf é tranqüilo e quase sempre, pouco perigoso. A proximidade com Ubatuba e São Sebastião é atrativa. Em menos de uma hora - pela Rio-Santos - você chega no centro de Ubatuba. Se quiser ir ao litoral sul de São Sebastião, onde estão Maresias e Camburi, o caminho também é curto. Pouco mais de uma hora. Ondulação: L Tamanho Máximo: 6 pés / 2m Tipos de ondas: Beach Break Melhor época: julho - novembro Ubatuba Declarada oficialmente neste ano como, a "Capital do Surf Paulista". Ubatuba figura imponente com suas ondas perfeitas e seus atletas renomados. Palco de campeonatos históricos e berço de grandes surfistas profissionais, a cidade tem ondas para todos os gostos. A parte sul recebe melhor as ondulações de leste, enquanto a parte norte fica exposta ao sul/sudeste/leste. Isso quer dizer que quase sempre tem uma valinha por ali. De Maranduba ao Prumirim, tem onda sobrando. Como foi dito acima, a parte sul da cidade recebe bem as ondulações de leste e nela se destacam a praia de Maranduba e a praia Dura. São duas ondas bem parecidas, quebram mais no fundo, são cheias lá fora e mais cavadas no inside, dependendo das condições são extremamente longas e manobráveis. Leve sempre em consideração que, se o swell marca 2m lá fora, nesses picos vai ter no máximo 1 metrinho. A parte central é uma máquina de fazer ondas: A praia das Toninhas, a Grande e a Vermelha do centro tem um posicionamento geográfico interessante. Formam uma imensa ferradura, separada por pequenos morros, isso quer dizer que qualquer direção de ondulação serve. Nas Toninhas a ondulação de leste pega firme, a onda é forte, mas não muito cavada, as maiores séries quebram do canto esquerdo, ao meio da praia. A praia Grande tem boas ondas no canto esquerdo, quando a ondulação está de sul. Quando o swell vem de leste, o canto direito da praia funciona melhor, dependendo da maré e do vento dá até uns tubos. A Vermelha do Centro é um paraíso para bodyboarders e surfistas atirados. Triângulos e tubos secos, ondas fortes, cavadas, de drop difícil, mas que valem muito a pena. Na parte Norte, Itamambuca, Felix e Vermelha do Norte dispensam maiores comentários. É só você abrir uma revista especializada em surf para ver dezenas de fotos dos picos citados. A primeira é a Vermelha do Norte, onda forte, pra frente, que vai bem com ondulação de leste, quando existe influência de sudeste temos uma valinha boa por ali. O sul passa por fora. Itamambuca é o pico. Valas espalhadas por toda a praia e gatas por toda areia. O clima do "flower power" chama atenção, a direita do canto do rio, também. O localismo é forte, as ondas são boas. Respeite os caras, o pico e faça seu surf. No Félix, em muitas vezes temos "condições havainas", a onda é muito forte, e cavada ao extremo, dificulta a vida dos amadores. No canto esquerdo um triângulo forma uma onda impressionante, ela dobra de tamanho quando pega no back wash e roda um tubo largo. Isso tudo e mais um pouco é Ubatuba, A Capital ! Ondulação: S/SE/L Tamanho Máximo: 12 pés / 4m Tipos de ondas: Beach Break, Point Break, Lajes Melhor época: Ano todo >> Tem fotos de surf ? envie agora >> Veja as fotos que já foram enviadas
28/12/2007