Praias

Santa Teresa

Charme e bucolismo em um dos bairros mais queridos do Rio de Janeiro

14/5/2008

divulgação
Santa Teresa
O bairro carioca de Santa Teresa, famoso por suas riquezas arquitetônicas e culturais, nasceu nos arredores de um convento no Morro do Desterro, no século XVIII, e ainda preserva características daquela época que valem ser visitadas. As ruas estreitas e sinuosas por onde passam os velhos bondes, uns dos únicos que ainda circulam em todo o Brasil, não podem ficar de fora do roteiro. Os charmosos veículos começaram a circular no século passado, movidos por tração animal e posteriormente por eletricidade. Remanescentes de uma época romântica, foram tombados como patrimônio histórico e ainda passeiam por trilhas perfeitamente preservadas, levando o turista a uma releitura do passado. O bonde sai do centro da cidade, passa sobre os Arcos da Lapa e segue a rota do tempo no sobe-e-desce das ladeiras de Santa Tereza. O ponto de partida é a estação no Largo da Carioca que fica perto da sede da Petrobrás, na Rua Lélio Gama. Existem duas linhas que circulam por Santa Teresa, chamadas Paula Matos e Dois Irmãos, com intervalos de saída de 15 minutos. Há ainda dois passeios com guias, realizados aos sábados: o Passeio Histórico, com saída às 10 horas e que dura cerca de uma hora percorrendo todo o roteiro cultural, e o Ecológico, com saída ao meio-dia, que oferece uma viagem mais longa, com duas horas de duração e um roteiro que inclui uma trilha pela mata. Descobrindo o romantismo de Santa Fazem parte desta viagem ao tempo a igreja e convento de Santa Teresa, o Largo do Curvelo, Largo dos Guimarães e Largo das Neves, Parque das Ruínas, Centro Cultural Laurinda Santos Lobo, Museu Casa de Benjamin Constant e o Museu Chácara do Céu. Igreja e Convento de Santa Teresa A Igreja e o Convento de Santa Teresa, responsáveis pelo nome do bairro, pertencentes à Ordem das Carmelistas Descalças, abriga religiosas que vivem isoladas e têm pouquíssimo contato com o mundo exterior. A ordem prega a simplicidade, humildade e a discrição. Poucos moradores afirmam ter visto as freirinhas no bairro. Largo do Curvelo O bonde chega à Rua Almirante Alexandrino, a mais antiga do bairro. Nela se encontra a Casa Navio, inspirada no convés de uma embarcação, pura ousadia arquitetônica. E é dessa mesma rua que se tem a visão surpreendente do Castelo de Valentim, uma fortaleza erguida em estilo neo-romântico. Construído no final do século 19, foi residência do comendador Antônio Valentim, projetada por seu filho. Hoje o imóvel funciona como um prédio de apartamentos. Por ali, um mirante descortina uma bela paisagem da Baía de Guanabara. Largo dos Guimarães e Largo das Neves O bonde entra no coração do bairro. No Largo dos Guimarães se concentram os mais badalados restaurantes e bares, que oferecem cerveja gelada e ótimos aperitivos. Entre eles, Bar do Mineiro, Bar do Arnaudo (comida nordestina), Sobrenatural (frutos do mar) e Adega do Pimenta (alemão). Quando anoitece, o agito toma conta do lugar. Seguindo os trilhos do bonde chega-se ao Largo das Neves, onde se encontra um belo casario de 1850 e a Igreja de Nossa Senhora das Neves, de 1860, além de mais uma série de bares muito concorridos. O local é o ponto final da condução e por ali vale a pena degustar o caldo verde do Bar do Goyabeira, os sanduíches do Café das Neves ou os pastéis de camarão do Santa Saideira. Parque das Ruínas O Parque das Ruínas se torna um belíssimo mirante que deixa o Rio de Janeiro aos seus pés. De lá, tem-se uma visão extraordinária do centro da cidade e de toda a orla do Rio - desde o Aeroporto Santos Dumont até a Urca. Logo abaixo estão os Arcos da Lapa. Aberto ao público, o Parque foi o que restou do Palacete Murtinho Nobre, onde morou Laurinda Santos Lobo. A casa foi um dos pontos mais efervescentes da vida cultural carioca durante muitos anos, até a morte da anfitriã, em 1946. A Prefeitura fez renascer das ruínas a cultura que ali existiu. O parque abriga uma sala de exposições, auditório e cafeteria, garantindo conforto a shows musicais, happy hours e leitura de textos literários. Nas áreas ao ar livre se destacam concorridos shows e uma programação especial para as crianças nos finais de semana. Com três andares, a casa chama atenção também por sua arquitetura e estilo - tijolos aparentes combinados harmoniosamente com estruturas metálicas e de vidro. Centro Cultural Laurinda Santos Lobo Numa bonita casa do bairro, foi inaugurado, em 1979, este centro cultural que presta homenagem a Laurinda Santos Lobo que, no início do século, foi responsável por comandar a vida intelectual do Rio, promovendo saraus e dando vida e graça a Santa Teresa. Museu Casa de Benjamin Constant O bonde passa por uma belíssima chácara onde viveu Benjamin Constant, líder do movimento republicano. Sua residência foi transformada em museu e totalmente restaurada com móveis, livros, objetos, fotografias e acervos de artes plásticas. A área que circunda o museu é totalmente arborizada e ideal para um descanso rápido até a próxima parada. Museu Chácara do Céu Raymundo Castro Maya foi um empresário bem sucedido, que se dedicou à vida cultural da cidade como mecenas e colecionador. É o gancho para mais uma chácara do bairro, herdada por Castro Maya em 1936. A construção da residência foi projetada em 1957 pelo arquiteto modernista Wladimir Alves de Souza. Lá, funciona agora o Museu Chácara do Céu que, para deleite do visitante, possui um acervo com importantes obras de arte moderna, com destaques para as assinadas por Portinari, Di Cavalcanti, Guinard, Picasso, Matisse e Dalí. Em pinturas, aquarelas e gravuras, o Brasil do século 19 é mostrado por viajantes como Debret e Taunay. Endereço: Estação de Bondes - ao lado do Aqueduto da Carioca, na Rua Lélio Gama. Fonte: Com informações da RIOTUR