|
As
origens da cidade de Santos confundem-se com as origens do Brasil.
O litoral paulista e a Ilha de São Vicente foram descobertos no
início do ano de 1502. A ilha foi habitada, poucos anos depois,
por elementos Europeus e desta ocupação espontânea surgiram dois
pequenos núcleos urbanos. O primeiro: o Povoado de São Vicente,
elevado a Vila, por Martim Afonso de Sousa, em 1532. O segundo:
chamado Nova Povoação, fundado , por volta de 1540 por Brás Cubas,
quando transferiu o porto que atendia a região, situado na Ponta
da Praia, para o outro lado da ilha, junto a um pequeno morro
que foi chamado, depois, de Outeiro de Santa Catarina.
Brás Cubas fixou-se no Brasil, dedicando-se a várias atividades
na Capitania de São Vicente, criada pelo Rei D. João III, em 1535,
que a doou a Martim Afonso de Sousa.
Na ausência do donatário, eram designadas várias pessoas para
governar a Capitania. Brás Cubas foi uma delas, nomeada em 8 de
junho de 1545. Interessado em promover a Nova Povoação, Brás Cubas
elevou-a à condição de vila, em data não conhecida, exatamente
por falta de documentos. Sabe-se que tal fato deu-se entre 19
de junho de 1545 e 3 de janeiro de 1547. Lembre-se que a condição
de vila, segundo as leis portuguesas, dava a esta o direito de
ter Câmara Municipal, símbolos de autonomia como pelourinho, estandarte,
território demarcado, foral. O título de cidade cabia à Capital,
Lisboa; a núcleos urbanos importantes, como Porto, ou sedes de
bispado, como Braga.
Recorde-se que a primeira cidade do Brasil foi a sua Capital,
Salvador, fundada na Bahia, em 1549, por Tomé de Sousa, governador-geral.
São Vicente foi a primeira vila e assim permaneceu até o final
do século XIX.
A vila do Porto de Santos, depois simplesmente Vila de Santos,
sendo o principal porto do litoral paulista, teve desenvolvimento
acima das outras vilas litorâneas. Em sua história estão registradas
a economia açucareira, a dispersão bandeirante, a época do café.
Santos ficou famosa por ser pátria de uma plêiade de figuras notáveis:
os Gusmões, José Feliciano Fernandes Pinheiro (Visconde de S.
Leopoldo), os irmãos Andradas. Foi por causa de um deles, José
Bonifácio, o Patriarca da Independência, que a Assembléia Provincial
(equivalente hoje à Assembléia Estadual) resolveu aprovar uma
Lei que elevava a Vila de Santos à condição de Cidade, assinada
pelo presidente da Província de São Paulo, Venâncio José Lisboa,
em 26 de janeiro de 1839.
Como vimos anteriormente à falta de uma data exata da elevação
do Povoado de Santos a Vila, os governos municipais decidiram
comemorar no 26 de janeiro o Dia da Cidade.
Muitas pessoas perguntam-se: "Santos, em 1996, festejou 450
anos e agora , em 1998, comemorou 159? "A escolha do ano
de 1546 como o da elevação do Povoado a Vila foi, até certo ponto,
política.
O que não exclui a possibilidade, por um milagroso resgate, de
se descobrir um documento com a data certa e que pode, até, ser
1546.
Em resumo, Santos passou pelas três fases de categorias urbanas.
Povoado de Santos de, aproximadamente, 1540 até 1546 (admitamos),
quando foi feita Vila, condição na qual permaneceu até 26 de janeiro
de 1839. Assim, Santos manteve-se como Vila durante quase 300
anos. Em 26 de janeiro de 1998, festeja-se o Dia da Cidade. E
os 452 anos? Ora, neles estão incluídos os 159 anos como Cidade.
Wilma
Therezinha Fernandes de Andrade
historiadora
|