Praias

Tartarugas Marinhas

Curiosidades e dicas sobre as três principais bases do Projeto Tamar

21/1/2008

Lucas Conejero
Tartarugas Marinhas foto 1
Tartaruga marinha na base nacional do Tamar
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Lucas Conejero É época de reprodução e desova das tartarugas marinhas que ocorrem no litoral brasileiro, as localidades que recebem os animais transformam-se em centros de observação e pesquisa para biólogos e especialistas, em estúdio para fotógrafos e jornalistas ambientais e num espetáculo de vida - na mais pura essência da palavra - para os turistas e moradores. "Assim nasceu o Projeto Tamar" Em 1977, um grupo de alunos da Universidade de Rio Grande - útero do ambientalismo acadêmico nacional - aponta no mapa um pontinho de terra no mar e começa a organizar uma das viagens mais importantes e perigosas da época. Iriam visitar o Atol das Rocas (RN) com alguns pescadores. Único atol do Atlântico Sul, não tem água potável e é com certeza, o pedaço de terra mais inóspito de nossos mares. Coragem e determinação eram os lemas do saudoso movimento estudantil da época, iluminados pelo "flower power" eles iriam mudar o mundo, pelo menos, a noção de ambientalismo no Brasil. A viagem rendeu aos estudantes imagens e anotações que não imaginavam fazer. Foi a primeira vez que tartarugas marinhas foram vistas e fotografadas por pesquisadores em águas brasileiras, foi também, a primeira vez que o movimento estudantil ambientalista viu em que ponto estava à matança indiscriminada desses animais. Grande parte das tartarugas que subiram nas areias do Atol para desovar foi morta, seus ninhos foram saqueados e os ovos retirados. De lá pra cá muita coisa mudou, os antigos "Tartarugueiros" - pescadores de tartaruga - são atualmente sentinelas dos animais e quase todos são funcionários do Projeto Tamar. Mundialmente reconhecido e detentor de dezenas de prêmios, incluindo o "Nobel" do ambientalismo, o Tamar tem quase três décadas de existência e antes de tudo é exemplo de unidade e harmonia entre comunidade acadêmica, ambientalistas e população local. Essa equação - de sucesso - tem na conscientização, na educação e na troca de experiências, suas amplas frentes de influência. Áreas de Desova As principais áreas de desova das tartarugas marinhas em nossa costa são: Regência - Comboios no Espírito Santo, Pirambu - Santa Isabel em Sergipe, e a praia do Forte, litoral norte baiano. Três destinos reconhecidos e altamente visitados na cena turística atual. Isso sem falar em Fernando de Noronha, Abrolhos, Trindade e Rocas. Em todos os locais citados, com um pouco de sorte e alguma disposição é possível acompanhar o nascimento dos filhotes e as desovas, que acontecem durante a noite. As tartarugas desovam entre os meses de setembro e março, com maior incidência em dezembro e janeiro. Uma curiosidade é que sempre voltam para desovar exatamente na mesma praia que nasceram. Aqui no Brasil podemos ver cinco, das oito espécies que existem no mundo: cabeçuda, verde, de pente, de couro (gigante) e oliva. Pirambu - Santa Isabel: onde tudo começou No litoral norte de Sergipe, encontra-se a pacata Pirambu. Com população urbana de 9.000 pessoas, nos meses de verão chega a receber 30 mil turistas. Foi em 1980, durante o mapeamento das áreas de desova, que os pesquisadores descobriram a alta incidência de tartarugas em suas areias. A praia tinha condições geográficas ideais para receber as fêmeas. Sua localização é bastante privilegiada: banhada por rios e pelo Oceano Atlântico, num dos mais belos pontos do litoral brasileiro, fez fama e aparece como destino preferido daqueles que querem visitar Sergipe. Lagoas e dunas, cachoeiras e trilhas encantam estrangeiros e brasileiros, o turismo cresce assustadoramente. Dentro da reserva Ecológica de Santa Isabel está a primeira base do projeto Tamar na história. É o projeto que mantém a reserva intacta, com apoio total e irrestrito da população local, agente de participação direta nas ações. Regência - Comboios: terra "das gigantes" A segunda base do Projeto Tamar foi instalada no litoral norte do estado do Espírito Santo. Depois de muitos anos de uma batalha judicial interminável, em 1984, o Governo Federal criava a Reserva Ecológica de Comboios, na linha de frente do combate estava o Tamar e a defesa das tartarugas gigantes (de couro) que ocorrem por ali. Assim como todo Espírito Santo, a região começa a despontar para o turismo. A estrutura para receber visitantes melhorou significativamente nos últimos anos. O grande atrativo continua sendo a Base de Comboios, o Centro de Visitantes e seus aquários. Praias extensas, com bons ventos são ótimos pontos para a prática de esportes náuticos, além claro, da beleza exuberante do litoral norte capixaba. Vale lembrar que até Itaúnas, na divisa com a Bahia, existem bases móveis do projeto e ocorrem desovas. Praia do Forte: Sede Nacional A terceira e última grande base do projeto Tamar está localizada no litoral norte da Bahia. Tem o título de praia com o maior número de desovas em todo o país, não é por menos que ela abriga a sede nacional do projeto. A localidade, em menos de 30 anos, deixou de ser uma vila bucólica e afastada para se transformar num dos maiores pólos de eco-turismo do mundo. Na última vez que visitei o local, na pousada onde eu tomava café da manhã, não existiam hóspedes brasileiros. Premiada com títulos por revistas de turismo do mundo todo que afirmam ser um dos lugares mais bonitos que existem, a região é altamente visitada e a maioria das acomodações são de nível elevado. A enorme base da praia do Forte, antigo terreno da Marinha, é um espetáculo. Todas as espécies de tartarugas podem ser vistas, peixes como um mero gigante e tubarões passeiam pelos tanques. No aquário das arraias os visitantes podem até tocar nos animais. Passeio imperdível! Outras Bases As tartarugas marinhas podem ser vistas em todo o litoral brasileiro, as áreas que não são de reprodução, como o litoral sul/sudeste, são áreas de alimentação e passagem das espécies que estão em processo de migração, rumo ao litoral nordeste/norte. Existem bases espalhadas de norte a sul do país, um bom exemplo é a de Ubatuba, no litoral norte paulista, tem o título de base mais visitada do projeto, em seus tanques também é possível ver algumas espécies de peixes e tartarugas marinhas. Resultados Em quase 30 anos de história o Tamar, sem dúvida nenhuma, obteve sucesso. Segundo as estimativas do próprio projeto, cerca de 8 milhões de filhotes foram liberados até o fim de 2007. O entrosamento com as comunidades locais é perfeito, a manutenção e a preservação das áreas de desova também. As tartarugas ainda não saíram da lista de animais em perigo de extinção, elas demoram 25 anos para entrar em idade reprodutiva, mas o projeto, com toda certeza, caminha para salvar a espécie. Informações sobre a localização de todas as bases, detalhes sobre as tartarugas, telefones de contato e tudo mais, no site oficial do projeto. www.tamar.org.br